©2018 Copyright Tulio Dek

@tuliodek

Siga

Contato

TNT Arte Galeria

55.21.2495-6142 | 21.2495-5756 | 55.21.9.9464-0374

REFLEXO

Marco Antônio Teobaldo

O fazer artístico pode ser, por muitas vezes, um ofício solitário em que o artista necessita do seu espaço para poder dar forma às suas inquietações e pensamentos. O uso de anotações em cadernos tem sido cada vez maisrecorrente e se apresenta como uma e caz ferramenta para registro earmazenamento de ideias, mesmo em um mundo altamente digitalizado e cada vez mais dependente de redes e conexões para acessar a internet. Tulio Dek, artista goiano, tem uma história muito peculiar com estes cadernos de artista, pois eles são seus instrumentos inseparáveis por onde quer que vá, sobretudo em suas andanças, quando está gravando ou apresentando um novo trabalho musical.

A partir de suas muitas anotações, ele sentiu a necessidade de extrapolar o suporte que as páginas de papel lhe davam e começou a desenvolver os seus registros em telas, utilizando tinta acrílica, canetas e spray. As novas e maiores dimensões de suas palavras e desenhos proporcionaramconotações ampli cadas ao pensamento que o artista buscava. A sua poética é tão marcante em sua pintura como acontece em sua música, apesar de serem textos e formas distintos para alcançarem a base da mesma re exão proposta por ele. Correr os olhos por sua obra é um exercício que leva o seuobservador ao mundo muito particular de Tulio Dek, que curiosamente se contrapõe totalmente ao seu caráter introspectivo.

Diferentemente da sua pintura que, além de poesia escrita, apresentauma forte carga de simbologias recorrentes (como as cabeças, por exemplo),sua escultura é formada por corpos decapitados, que reitera a sua visão do sujeito alvo da violência e vulnerável à fúria do outro. Na série “Re exo”,que dá nome à sua primeira exposição individual, o artista utiliza centenas decartuchos de projéteis de armas de fogo para cobrir a superfície de volumes corpóreos, construindo uma espécie de anatomia bruta. Desta vez, contudo, quem vê a obra também se sente um pouco parte daquele corpo em estadode risco.

Tulio Dek é um poeta provocador, que usa todos os recursos que lhesão possíveis para traduzir o seu sentimento em relação ao mundo em que vive, ao mesmo tempo em que consegue tocar a vida do outro. Seu trabalho é, portanto, o reflexo do seu tempo e de sua realidade.

REFLEX

Marco Antonio Teobaldo, curator

Artistic making can often be a solitary craft in which the artist needs his space to be able to give form to his worries and thoughts. The use of notes in notebooks has been increasingly recurrent and presents itself as a tool to record and store ideas, even in a highly digitized world and increasingly dependent on networks and connections to access the internet. Tulio Dek, a Goian artist, has a very peculiar history with these artist's notebooks, since they are his inseparable instruments wherever he goes, especially in his wanderings, when he is recording or presenting a new musical work.

 

From his many notes, he felt the need to extrapolate the support the paper pages gave him and began developing his records on canvas using acrylic paint, pens and spray. The new and larger dimensions of his words and drawings provided ample connotations to the thought the artist sought. His poetry is as striking in his painting as it is in his music, although they are distinct texts and forms to reach the basis of the same reflation he proposes. Running his eyes through his work is an exercise that takes his observer to the very particular world of Tulio Dek, who strangely opposes his introspective character.

Unlike his writing, which, in addit;LEXion to written poetry, presents a heavy load of recurring symbology’s (such as the heads, for example), his sculpture is formed by decapitated bodies, which reiterates his view of the target subject of violence and vulnerable to the fury of the other. In the series "Reflexo", which gives name to his first individual exhibition, the artist uses hundreds of cartridges of projectiles of firearms to cover the surface of corporeal volumes, constructing a kind of gross anatomy. This time, however, those who see the work also feel a little part of that body in a state of risk.

 

Tulio Dek is a provocative poet who uses every possible means to translate his feelings towards the world in which he lives, while at the same time being able to touch the life of the other. His work is, therefore, the re exo of his time and his reality.